A Criminalidade no Rio de Janeiro

Os criminosos, sejam traficantes ou milicianos, chegaram a um ponto de organização e ousadia que acabaram por formar empresas e instituíram um “Poder Paralelo”, capaz de enfrentar o Estado Constituído e dominar extensas áreas da Região Metropolitana e de cidades do interior fluminense.
Com isso, criaram códigos de conduta, impondo toques de recolher nas comunidades dominadas.

Impõem regras, ignoram os direitos constitucionais dos cidadãos , cobram por serviços como transporte, gás de cozinha, telefonia, Internet, segurança e outros insumos.

Nenhum estabelecimento comercial funciona sem pagar taxa a esses delinquentes. Até mesmo os humildes camelôs são reféns. Também cobram taxas dos moradores.

Hoje, até na construção civil as milícias e o tráfico atuam. Os serviços públicos não entram em áreas por eles dominadas. O Estado está enfraquecido e a população submissa e humilhada.
Os líderes das milícias e das facções de tráfico, por outro lado, vivem como faraós. Residem em mansões nos bairros mais luxuosos e ostentam riqueza e poder. Por vezes, em espaços divididos com grandes empresários e políticos. Uma promiscuidade inacreditável. A sensação que se tem é a de que essa situação não será revertida em curto ou médio prazos.

O Estado está apequenado e alguns agentes públicos são cooptados ou frágeis.

O combate à criminalidade não pode ser feito, apenas, com incursões policiais e caveirões, nas comunidades à busca de criminosos do segundo escalão na hierarquia da empresa do crime. Os verdadeiros ” chefes” não são atingidos.

A política de enfrentamento bélico tem causado mortes de policiais e de moradores inocentes que nada têm a ver com a criminalidade que cresceu diante da omissão e da conivência do próprio Estado.

A ação que sempre defendemos demanda a inteligência das forças de segurança pública do Estado, o combate à circulação de armas e drogas e, sobretudo, o enfraquecimento ou a extinção das ” empresas do crime”, através de um rigoroso combate ao poder econômico destas “empresas”.

Uma fiscalização séria nas rodovias, nos portos e nos aeroportos, impedindo a entrada de drogas e armas no Estado, aliada às ações da Receita Federal, combatendo a “lavagem de dinheiro”, reduzirá o poder bélico destes marginais, dando chance ao Estado de retomar as áreas por eles dominadas e libertando as populações deste domínio cruel. A partir dai, o Estado poderá entrar com as políticas públicas como saúde, educação, lazer, cultura, habitação, limpeza urbana, transporte e ordem pública, restaurando os direitos humanos e dando dignidade aos moradores destas áreas.

Vereador Prof. Celio Lupparelli

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